

SAF na Mooca: novo estatuto, mesma paixão
HISTÓRIA DO JUVENTUS

CRISE FINANCEIRA
O Juventus vive um momento de recuperação após passar por grandes crises, impulsionadas principalmente pelo colapso financeiro e acúmulo de dívidas (dívida acumulada em torno de). Diante disso, em 2025, a gestão e a presidência apresentaram aos conselheiros do clube a proposta de uma transição para o modelo SAF (Sociedade Anônima do Futebol). A medida foi aprovada por 70 votos a favor e 18 contra.
Além disso, quatro dirigentes do "Moleque Travesso" (mascote do time) foram afastados em 2025 por desviarem valores do clube para as suas contas entre 2019 e 2022. O Juventus recebeu, na época, R$2,3 milhões da Prefeitura de São Paulo para reformar e manter o Estádio da Rua Javari, mas sofreu um rombo financeiro que ultrapassa R$5,3 milhões.
Apesar de todos esses acontecimentos, o Tribunal de Justiça (TJ) suspendeu temporariamente a sindicância aberta pelo Juventus da Mooca após pedido de Ivan Antipov, conselheiro vitalício e presidente do Conselho Deliberativo, sob a alegação de falta de direito à defesa. Com isso, o planejamento esportivo acaba sendo afetado, e a crise tende a se prolongar ainda mais.
A atual realidade financeira da Juve é de transição crítica, já que o clube caminha para se tornar SAF com o objetivo de atrair novos investidores, além de modernizar e profissionalizar sua estrutura. A mudança também busca solucionar pendências financeiras acumuladas ao longo de sua história e encerrar os processos que envolvem o nome do clube.

Ao optar por constituir o Juventus da Mooca como SAF Juventina, o clube terá um projeto que prevê R$480 milhões em investimentos ao longo dos próximos 10 anos, com o objetivo de colocar novamente o clube grená entre os maiores do futebol brasileiro. Os presidentes do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração, Carlos Pedroso e Dilson Deradeli, respectivamente, afirmaram que as metas do projeto incluem o retorno à elite do Campeonato Paulista em 2027, o acesso à Série C em 2028, à Série B em 2031 e, por fim, à Série A em 2035.
Alan Bessa, ex-coordenador financeiro da Federação Paulista de Futebol (FPF), afirma que os clubes brasileiros tradicionais estão desaparecendo por questões de dívidas.
O especialista aponta que, para times como o Juventus da Mooca, a SAF surge como uma alternativa relevante, sobretudo com a atual disparidade bilionária nos patrocínios, receitas e investimentos entre os clubes da elite do futebol, embora ressalte que essa não seja a única solução possível. Para o Bessa, modernizar as categorias de base e o bairro também são passos fundamentais
A questão do Juventus não foi desaparecer, mas talvez ele já estava desaparecido no sentido de que ele não queria mais ficar da mesma forma. Se ele não tivesse uma SAF, um investimento por trás, ia continuar na A2, talvez cair pra A3. Seria difícil ele disputar a elite do futebol paulista, onde a maioria dos clubes tem investimentos muito altos."
Alan Bessa - Ex-Coordenador Financeiro da FPF

ENTENDA A SAF
A SAF (Sociedade Anônima do Futebol) foi criada pela Lei 14.193/2021 e sancionada em agosto de 2021. Esse modelo permite que clubes tradicionais, sem fins lucrativos, sejam transformados em clubes-empresa, atraindo investidores, acionistas e gestores. Além disso, ela promete profissionalizar e modernizar a gestão dos clubes, contribuir para a redução das dívidas, atrair investimentos privados, gerar sustentabilidade, entre objetivos com foco em elevar a competitividade do clube.
Para um time se tornar SAF, é necessário passar por processos legais e administrativos que envolvem a criação de uma empresa e a transferência dos ativos do futebol — como contratos de funcionários (incluindo jogadores), marcas e centros de treinamento (CTs). Com isso, a nova entidade passa a ter um CNPJ próprio. Os investidores que adquirem participação na SAF se tornam acionistas e passam a influenciar nas decisões e receber parte dos lucros gerados pelo clube.
Com a expansão do modelo no Brasil, crescem as expectativas por resultados rápidos. No entanto, os desafios persistem, como a longevidade do projeto, que depende de equilíbrio financeiro, e ajustes na estrutura do clube.

Os clubes acabam se tornando SAF prematuramente ou sem uma reestruturação, e acreditam que somente após se tornarem SAF tudo vai mudar de um dia para o outro. Na verdade, tem que ser um passo que já vem acontecendo, com conversas ali dentro, processos, políticas para reestruturar a empresa como um todo"
Alan Bessa - Ex-Coordenador Financeiro da FPF

VANTAGENS
A gestão se torna profissional, com especialistas para melhorar as decisões e evitar problemas administrativos. Há também a reconstrução financeira, com a destinação de 20% da receita por 10 anos para quitar dívidas. Por fim, a possibilidade de venda da operação do futebol atrai investimentos, gerando recursos para pagar dívidas e melhorar o desempenho esportivo.
DESVANTAGENS
Por outro lado, o modelo SAF também apresenta riscos. Existe a possibilidade de falência, já que o clube passa a ser uma empresa sujeita à liquidação. Além disso, decisões de curto prazo podem priorizar retorno financeiro imediato, prejudicando o planejamento esportivo e a estabilidade. Por fim, a busca por mais receitas pode elevar preços e tornar o clube mais elitizado.
siteoficial/c.a.juventus
DILEMAS DO TORCEDOR
A entrada do Juventus na SAF divide opiniões. Entre os torcedores que não apoiam o modelo, converge o receio de o clube perder a identidade e não ser escutado pela nova gestão. Já para os que concordam com financeirização do time, o argumento é que o apoio vai equilibrar as contas da equipe. Na avaliação dos torcedores Gabriel e Sérgio, a SAF é positiva e traz progressos visíveis dentro do campo, como melhora da infraestrutura do estádio, no recente acesso para a Série A1 do Campeonato Paulista de 2027 e a conquista do Campeonato Paulista Série A2.




















